ESTRELA SOLITÁRIA

Estrela Solitaria
Bethany Campbell
Lone Star State of Mind
Série Crystal Creek
Coleção Ouro, nº 35
Editora Nova Cultural , 1995


Nada mais seria como antes em Crystal Creek!
Um médico estrangeiro chegara à cidade.
Para o dr. Nate Purdy, Sonny Dekker era um grande médico. Para muita gente, no entanto, não passava de um grande causador de encrencas.
Já Beverly Townsend via no exótico dr. Dekker uma pessoa extremamente cativante. Logo tornaram-se amigos, e essa amizade fez muitos rumores circularem em Crystal Creek.
Foi numa tarde estranhamente calma de primavera que tudo começou a mudar. O céu escureceu, e uma fragorosa tormenta caiu sobre a cidade. Para muitos, era o fim; para outros, o começo de uma nova vida. Em Crystal Creek, nada mais seria como antes.


CAPÍTULO I

Em suas veias corria o sangue dos príncipes, dos camponeses, dos guerreiros, dos místicos e dos piratas. Era um homem alto, moreno, bonito. O mais exótico que já pusera os pés em Crystal Creek.
Nascido na ilha de Java, era metade chinês, um quarto indonésio e um quarto holandês, misturado com australiano. Tão variada era sua ascendência que ele não a levava muito em consideração, preferindo ater-se às qualidades pessoais. Gostava dos Estados Unidos por achá-lo um país vigoroso, irreverente e independente, aspectos com os quais se identificava.
Notava-se apenas um leve sotaque estrangeiro em seu inglês fluente. Tinha trinta e um anos e um ar cético, zombador, ligeiramente perigoso. O que de mais perigoso havia nele era, no entanto, a inteligência aguda.
Esguio, musculoso, de ombros largos, passava de um metro e oitenta de altura. Vestia sempre jeans agarrado ao corpo. Costumava usar cinturão com fivela de prata e botas pretas de caubói arranhadas pelo uso.
Estudara na Universidade do Havaí e, nas férias, durante o verão, trabalhara como peão em fazendas de gado. Bom na montaria e no laço, sabia cuidar dos animais como se tivesse nascido para isso.
Não era, contudo, um caubói, mas sim o mais novo médico de Crystal Creek. E não estava nada feliz por exercer a profissão numa cidade tão provinciana. Era um neurocirurgião, afinal de contas, e Crystal Creek não comportava um especialista dessa natureza. O dr. S.J. Dekker suportava a situação somente por ser temporária: seis meses.
Deveria ter ido para a Clínica Hopkins-Sloane, de Denver, uma das melhores do país em neurocirurgia, mas o dr. Amos Hopkins decidira não se aposentar na data que anunciara. O dr. Hopkins era um gênio, e um dos fundadores da clínica. Podia, portanto, fazer o que bem entendesse, por mais excêntrico e inconveniente que fosse.
Assim, Dekker teria que matar o tempo em Crystal Creek. Era o único lugar que aceitaria um médico que pretendesse ficar apenas seis meses. A cidade deveria ter cinco profissionais da área de saúde, mas tinha só dois até a chegada de Dekker: o dr. Nate Purdy, brilhante, meio idoso, e o dr. Greg Sinclair, que, nos melhores dias, quase chegava a ser competente.
Como um presidiário, Dekker riscava os dias do calendário que pendurara na parede de seu insípido apartamento. Às vezes, fazia mentalmente listas do que gostava e desgostava em Crystal Creek. O tamanho de cada lista diferia de modo dramático.
Gostava do dr. Nate, de Rose Purdy e da torta do Café Longhorn.
Não gostava do hospital, pequeno, mal construído e em triste estado de conservação. Não gostava da clínica, sempre atolada de pacientes, desorganizada e lenta no atendimento.
Não gostava de Peggy Sue Grimes, diretora da clínica, que escondia a preguiça debaixo de uma fachada de doçura. Não gostava do marido de Peggy, Roger Grimes, técnico do Crystal Creek Cougars, time de futebol americano do colégio. Roger era um brutamontes que se considerava uma dádiva de Deus para os esportes.
A estação de rádio local distribuíra o calendário de jogos do Cougars, que fora afixado nas vitrines das lojas e nas paredes dos bares e restaurante da cidade. Também distribuíra broches com os dizeres "Vamos, Cougars!". Não usar o broche era considerado uma heresia. Dekker não o usava.
Às vezes, lamentava essa idolatria diante de uma cerveja, na companhia de outro recém-chegado à cidade, Tap Hollister, maestro da banda da escola.
— Esses gorilas do futebol têm uma sala de ginástica com quase um milhão de dólares em equipamentos — queixou-se Hollister no dia em que conheceu Dekker.
— Os uniformes devem ter sido confeccionados em Paris. E eu não consigo um único dólar para os novos uniformes da banda. A calça do rapaz da tuba já rasgou três vezes. Na semana passada, ele ficou de traseiro à mostra para todo o estádio.
— Divirta-se — ironizou Dekker.
— Você vai se divertir conosco — rebateu Hollister.
— O hospital também vai ter um time. Vão querer que você participe, que demonstre seu espírito cívico.
— Não tenho espírito cívico.
— Mas Beverly fará você participar.
Beverly Townsend! A Rainha da Beleza! Por quê, em meio a tantas coisas irritantes em Crystal Creek, Beverly era a que mais o irritava?
— No dia em que o inferno virar gelo — retrucou Dekker.
Beverly Townsend e Dekker não tiveram um bom início de relacionamento. Ex-miss Texas e segunda colocada no concurso de Miss Estados Unidos, Beverly trabalhava como voluntária no hospital quando não estava fora da cidade, tentando a carreira de modelo em algum lugar. O dr. Nate Purdy falava maravilhas a seu respeito, mas Dekker não via nela encanto algum. Considerava-a tola, bela e de cabeça oca.
Quando ela o vira pela primeira vez, seus grandes olhos azuis arregalaram-se de surpresa, e Dekker entendeu por quê. Ela não esperava um asiático, e demonstrou isso claramente. Sua expressão dizia: "Você é diferente. É estrangeiro. Não é um de nós". Em seguida, abriu um sorriso faiscante, apertou a mão de Dekker com excessivo entusiasmo e começou a falar efusivamente.
Disse achar difícil pronunciar o nome do recém-chegado, Sunarjo, e que passaria a chamá-lo de Sonny Joe. Dali por diante, sempre que o encontrava, dizia: "Olá, Sonny Joe!".

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2 comentários:

  1. uma história legal, com romance, meio policial, o casal no inicio, são apenas amigos, mas enfrentam preconceito ela por ser modelo, loira e miss da cidade e ele um médico bonitão, estrangeiro e descendente de orientais e estarem em uma cidade pequena..tem muita emoção, intrigas e aventura, ele torna-se herói da cidade. O legal que foca também outros personagens, sempre mostra o que os personagens sentem e fica fácil entende-los, é um enredo interessante. Recomendo! ótimo livro e parabéns autora. Gostei.

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  2. Amei,amei ,amei..linda estoria..uma estoria com personagens reais e uma cidade inteira com discórdias ,intrigas ,romances..e esses mocinhos?prefeitos ...ela maravilhosa por dentro e por fora. Ele único,uma perfeição..e o humor dele?me encantou de uma maneira...❤❤❤❤❤❤

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